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domingo, 22 de outubro de 2023

Frases inspiradas em grandes autores

 Para um domingo ensolarado, conservo alguns pensamentos de grandes autores que percorreram comigo esse ano:

1. São as feridas da guerra que não lutei que mais me marcam. Fernando Pessoa

2. A fé começa precisamente onde acaba a razão. Soren Kierkekaard

3. Aconselhamento não consiste em dar conselhos. Rudio

4. Exemplo não é uma forma de ensinar. É a única forma de ensinar. Albert Einsten

5. A vida só se dá para quem se deu. Vinícius de Moraes

6. A loucura é contagiosa, acho. Parece que John a contraiu com os índios. Por que, naturalmente, convivia muito com eles. Admirável Mundo Novo

7. A hora do encontro é também despedida. A plataforma desta estação é a vida. Milton Nascimento

8. O que vale a pena não é o ponto de partida, e sim a caminhada. Caminhando e semeando, no fim, terás o que colher. Cora Coralina

9. O amor descobre verdades sobre os indivíduos que os outros não podem ver. Soren Kierkegaard

segunda-feira, 8 de agosto de 2022

A vida é o que fazemos dela. As viagens são os viajantes. O que vemos não é o que vemos, senão o que somos. Fernando Pessoa

 Com qual olhar vemos o mundo? Qual a cor dele?

Adoro a maneira como Fernando Pessoa nos faz refletir sobre a autonomia e o devir. Nesse lugar que não é fixo, onde tudo flui e nada permanece.

Como é bom saber que possuímos a potência do processo... da transformação!

"Sinto, logo existo." Soren Kierkegaard
Lívia Longo | Psicóloga
CRP 06/168309

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

Hino à solidão

Diz-se que a solidão torna a vida um deserto;
Mas quem sabe viver com a sua alma nunca
Se encontra só; a Alma é um mundo, um mundo
                                                                [aberto
Cujo átrio, a nossos pés, de pétalas se junca.

Mundo vasto que mil existências povoam:
Imagens, concepções, formas do sentimento,
— Sonhos puros que nele em beleza revoam
E ficam a brilhar, sóis do seu firmamento.

Dia a dia, hora a hora, o Pensamento lavra
Esse fecundo chão onde se esconde e medra
A semente que vai germinar na Palavra,
Cantar no Som, flores na Cor, sorrir na Pedra!

Basta que certa luz de seus raios aqueça
A semente que jaz na sua leiva escondida,
Para que ela, a sorrir, desabroche e floresça,
De perfumes enchendo as estradas da Vida.

Sei que embora essa luz nem para todos tenha
O mesmo brilho, o mesmo impulso criador,
Da Glória, sempre vã, todo o asceta desdenha,
Vivendo como um deus no seu mundo interior.

E que mundo sublime, esse em que ele se agita!
Mundo que de si mesmo e em si mesmo criou,
E em cuja criação o seu sangue palpita,
Que não há deus estranho aos orbes que formou.

Nem lutas, nem paixões: ideais serenidades
Em que o Tempo se esvai sob o encanto da Hora...
O passado e o porvir são ânsias e saudades:
Só no instante que passa a plenitude mora.

Sombra crepuscular, que a Noite não atinge,
Nem a Aurora desfaz: rosicler e luar,
Meia tinta em que a Alma abre os lábios de Esfinge,
E o seu mistério ensina a quem sabe escutar.

Mas então, inundando essa penumbra doce,
De não sei que sublime esplendor sideral,
Como se a emanação dum ser divino fosse,
Deixa no nosso olhar um reflexo imortal.

Na vertigem que a vida exalta e desvaria,
Pára alguém para ouvir um coração que bate
No seio mais formoso, o olhar que se extasia
Vê o mundo que nele em ânsias se debate?

É só na solidão que a alma se revela,
Como uma flor nocturna as pétalas abrindo,
A uma luz, que é talvez o clarão duma estrela,
Talvez o olhar de Deus, de astro em astro caindo...

E dessa luz, a flor sem forma, há pouco obscura,
Recebe o seu quinhão de graça e de pureza,
Como das mãos do artista, animando a escultura,
O mármore recebe a sua alma — a Beleza.

Se sofrer é pensar, na paz do isolamento,
Como dum cálix cheio o líquido extravasa,
A Dor, que a Alma empolgou, transborda em
                                                          [pensamento,
E a pouco e pouco extingue o fogo em que se
                                                                   [abrasa.

Como a montanha de oiro, a Alma, em seu
                                                             [mistério,
À superfície nunca o seu teor revela;
Só depois de sondado e fundido o minério
Se conhece a riqueza acumulada nela.

Corações que a Existência em tumulto arrebata!
Esse oiro só se extrai do minério candente,
No silêncio, na paz, na quietação abstracta,
Das estrelas do céu sob o olhar indulgente...

António Feijó, in 'Sol de Inverno'

Insuficiência da psiquiatria x psicologia

Os fármacos têm sua importância, mas, não articulam a existência. A existência não é determinação causal. A causa, vem do pensamento cartesi...